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A novela da radioterapia

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

O cidadão sorocabano está assistindo, desde o final do ano passado, a uma das mais cruéis confusões na área da saúde da história recente do município, em que os maiores prejudicados são os pacientes com doenças graves que necessitam de radioterapia. Toda essa novela envolve o aparelho de radioterapia que atendia dezenas de pacientes na Santa Casa de Sorocaba. A pastilha de cobalto do equipamento, peça fundamental para o funcionamento do dispositivo, deixou de funcionar por estar com o tempo de validade vencido. A Prefeitura, que havia requisitado a Santa Casa naquele período, não dispunha de recursos para comprar outra pastilha ou equipamento, nem procurar alguma alternativa mais dispendiosa. Desde então, quem precisa desse tratamento complexo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem que se submeter a viagens semanais constantes para recebê-lo em hospitais da Região Metropolitana de São Paulo. Em Sorocaba, uma clínica particular atende apenas 50 pacientes por conta de um convênio com o governo estadual.

Com o aparelho desativado, depois de muitas tentativas, conseguiu-se a doação para a Santa Casa de um equipamento procedente da cidade de Bauru. O aparelho foi doado por um grupo de médicos que trabalham nessa área e transportado para Sorocaba, com todas as medidas de segurança exigidas pelo Conselho Nacional de Energia Nuclear (Cnen), mas nunca chegou a ser utilizado. A Prefeitura de Sorocaba, que novamente requisitou a Santa Casa, classificou inicialmente o equipamento de ultrapassado e informou que firmaria um convênio emergencial com a clínica Nucleon para dar assistência aos pacientes que necessitam de radioterapia em Sorocaba. A informação de que o equipamento doado era obsoleto foi contestado pelo grupo doador, uma vez que ele é apenas de geração anterior ao usado pela clínica particular, embora seja mais moderno que o antigo equipamento da Santa Casa. Por meio de nota, a Prefeitura voltou atrás e informou que o fator determinante para não colocar o aparelho em uso estava relacionado à falta de licenças, e que com o tempo que a regularização demandaria, seria mais rápido firmar o convênio com a clínica particular, outra informação rebatida pelo grupo doador do equipamento. Os médicos de Bauru informam que tinham licença para o aparelho naquela cidade, onde ele funcionava normalmente até o hospital fechar, mas a Santa Casa precisaria de nova licença junto ao Cnen para colocar o equipamento em operação. Esse grupo de médicos informa que queria operar o equipamento na cidade, dividindo os lucros com a Santa Casa e admite que tinha interesse de operar o equipamento que será instalado no futuro naquele hospital, doado pelo Ministério da Saúde.

No meio de toda essa confusão, o Cnen informou que a empresa doadora do equipamento solicitou a retirada de operação da máquina, concedida em maio deste ano e a Santa Casa perdeu a autorização do órgão federal para operar na área de radioterapia, não podendo realizar qualquer ação com fontes radioativas até que pendências existentes junto ao Cnen sejam resolvidas. Diante dessas informações, muitas delas desencontradas, é preciso que algumas questões sejam esclarecidas. Em primeiro lugar, é necessário encontrar uma solução que atenda melhor os pacientes que necessitam do tratamento, os maiores sacrificados nessa história toda. É evidente que um contrato emergencial com a clínica especializada pode resolver temporariamente o problema, mas esse contrato emergencial terá que ser renovado por quanto tempo? Como já foi divulgado, para que o equipamento moderno de radioterapia com acelerador linear entre em funcionamento, é preciso que a Santa Casa conclua a construção de uma casamata e demais dependências para abrigar o aparelho, doado pelo Ministério da Saúde, o que demanda tempo. O mesmo ocorre com o Conjunto Hospitalar de Sorocaba, que terá aparelho idêntico quando concluir as dependências tecnicamente adequadas para o aparelho. Outra questão é saber se o custo do contrato com a clínica não fica mais caro para a Prefeitura que a solução apresentada anteriormente.

A solução de todo esse problema, nesse contexto, precisa atender a duas premissas básicas, celeridade para atender de maneira mais digna os pacientes, e menor custo para os cofres do município.

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