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Homenagem emociona o físico Carlos Parente em inauguração do Espaço que leva seu nome

Pesquisador foi pioneiro em pesquisas com difratômetro de nêutrons no Brasil, ainda na década de 60. Nas comemorações dos 60 anos Reator IEA-R1, é homenageado pelos colegas.

"Gostaria de agradecer por esta homenagem, que me deixa muito comovido. Acho que fiz o meu trabalho, tive acertos, cometi erros, mas procurei, de toda forma, contribuir para o desenvolvimento da instituição”. Com essas palavras, e visivelmente emocionado, o pesquisador Carlos Benedicto Ramos Parente inaugurou o Espaço de Memória que leva o seu nome, no prédio do Centro do Reator de Pesquisas (CRPq) do IPEN. A inauguração, ocorrida na manhã desta terça-feira, 28, marcou o primeiro dia das comemorações pelos 60 anos de operação do Reator Nuclear de Pesquisas IEA-R1, o pioneiro no Brasil.

A homenagem a Parente, como é carinhosamente chamado pelos colegas, foi iniciativa dos operadores do IEA-R1, com o total apoio do Centro e da direção do IPEN, em reconhecimento à "inestimável contribuição” que o físico deu ao longo de 52 anos – ele ingressou oficialmente no Instituto como pesquisador em 1965. Neste mesmo ano, foi o responsável pelo projeto e pela construção do difratômetro de nêutrons (denominado "Neutron Diffractometry") do IPEN, financiado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Este, aliás, foi o seu "maior legado”, segundo ele próprio.

"Eu penso que uma das formas de contribuir para o desenvolvimento científico é viabilizar instrumentos de pesquisas. Eu consegui o primeiro difratômetro de nêutrons para o IPEN e desse primeiro, fiz um upgrade, como se fala, do instrumento, de maneira a torná-lo mais moderno. Esse instrumento possibilitou contribuirmos para uma parte da pesquisa do Instituto, que foi desenvolvida por nós, também publiquei alguma coisa... é isso. Não teria muito mais a dizer. Apenas procurei fazer o meu trabalho. O que eu acertei, nessa trajetória, está aí, para que outros aproveitem”, disse Parente.

O upgrade a que se referiu diz respeito ao difratômetro de nêutrons equipado com detector sensível à posição, obtido por projeto financiado pela Fapesp, com o nome "Aperfeiçoamento das Condições de Difratometria de Nêutrons do IPEN", em 2005.

"Ele está sendo modesto. Desenvolveu excelentes pesquisas na área de cristalografia, tendo sido inclusive presidente da Sociedade Brasileira de Cristalografia, foi um dos primeiros pesquisadores a trabalhar com difratômetro de nêutrons no mundo e é reconhecido internacionalmente na área. Imagine que os reatores são da década de 50, e já na década de 60 ele iniciou pesquisas com difratômetro de nêutrons no Brasil. O significado disso para nós é muito maior do que o que sua modéstia coloca”, declarou Frederico Genezini, gerente do CNPq.

Cristalografia é o ramo da ciência que lida tanto com as formas geométricas de cristais quanto com suas estruturas internas e propriedades. Parente tem larga experiência em cristalografia aplicada à área de engenharia de materiais e metalúrgica, com ênfase em estrutura dos metais e ligas, atuando principalmente nas linhas de difração múltipla, difração de nêutrons, textura cristalina, análise quantitativa de fases por Rietveld e estruturas magnéticas. "Ele não diz, mas é um notável cristalógrafo”, acrescenta Genezini, destacando também o espírito "pioneiro” de Parente.

A opinião é compartilhada por quem trabalha com ele há quase quatro décadas, como a pesquisadora Vera Lucia Mazzocchi, responsável pelo Laboratório de Difratometria de Nêutrons do IPEN. "Como pesquisador, ele sempre procurou desenvolver pesquisas pioneiras, publicando-as em revistas de impacto e desenvolvendo, quando necessário, a instrumentação para a resoluçāo dos problemas”.

Mazzocchi se emociona ao descrever o perfil de Parente como pesquisador e considera a homenagem um reconhecimento à sua história no Instituto. "Falar sobre o Parente é sempre muito emocionante. Nesses 37 anos em que trabalhei a seu lado, sempre vi um homem e um profissional bastante sério e competente, um verdadeiro mestre: bastante rigoroso, mas sempre disposto a passar todo o seu conhecimento. Trabalhar a seu lado foi uma grande honra. Das homenagens já recebidas, acredito que essa foi para ele a mais emocionante, porque veio de colegas que conviveram com ele todos esses anos. Não tenho dúvidas que foi bastante merecida”, disse.

Apesar da dificuldade de locomoção, Parente ainda está em atividade. Fez questão de ressaltar o acolhimento que recebe dos colegas do IPEN e diz que, enquanto puder, continuará contribuindo com a Instituição. "Infelizmente, estou numa condição meio difícil de continuar aproveitando como gostaria, mas a gente faz o possível, né?”, brincou. Sua dedicação é reconhecida pelos pares. "Como gerente do Centro, me sinto muito feliz com essa justa homenagem ao Parente, por tudo o que ele fez e ainda faz, nestes seus quase 80 anos, pela ciência brasileira”, salientou Genezini.

"Mestre" – O professor Luiz Carlos de Campos, do Departamento de Física da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foi aluno de doutorado do professor Parente, no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear IPEN/USP. O "mestre”, como ele se refere ao ex-orientador, foi "o grande responsável” pelo seu crescimento acadêmico e profissional. "Existem pessoas que conhecemos em nossas vidas e que nos marcam definitivamente. O professor Parente foi meu mestre, meu orientador no doutorado e o grande responsável pelo meu crescimento acadêmico e profissional. Essa homenagem que ficará para sempre na memória dos pesquisadores do IPEN", disse.

Sobre o homenageado – Carlos Benedicto Ramos Parente é bacharel e licenciado em Física (1966) e doutor em Ciências (1973) pela Universidade de São Paulo. Em 1973, realizou Pós-Doutorado no Brookhaven National Laboratory (B.N.L.), nos Estados Unidos e em 1980 no Kernforschungsanlage (KFA), na Alemanha. Também atuou como professor de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear IPEN/USP.

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Ana Paula Freire, jornalista MTb 172/AM
Assessoria de Comunicação Institucional