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Software desenvolvido no IPEN é sucesso de público no Congresso Brasileiro de Cerâmica

CrystalWalk, destinado principalmente a alunos de graduação e pós-graduação das áreas de Engenharia e Ciência dos Materiais, é apresentado em realidade aumentada.

A demonstração de um produto desenvolvido no IPEN – o software CrystalWalk AR – novamente surpreendeu. Desta vez, no 63º Congresso Brasileiro de Cerâmica, realizado em Bonito (MS), entre 4 e 7 de agosto. No ano passado, a plataforma já havia sido sucesso no 23º Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais – CBECIMAT, organizado pelo IPEN, em Foz do Iguaçu (PR), em novembro. Na ocasião, foi apresentado um pôster em branco, com apenas título e nome dos autores, o que despertou muita curiosidade.

Desenvolvido no doutoramento de Fernando Bardella, sob a orientação de Ricardo Mendes Leal, do Centro de Ciência e Tecnologia de Materiais (CECTM), o CrystalWalk é destinado principalmente a alunos de graduação e pós-graduação das áreas de Engenharia e Ciência dos Materiais. "É muito útil para criar e visualizar com facilidade estruturas cristalinas num ambiente tridimensional virtual, seguindo um passo a passo bastante simplificado e interativo, que demanda a participação ativa e consciente do usuário”, explica Leal.

O pôster de Leal seria apresentado apenas no terceiro dia do Congresso, porém, o pesquisador fez demonstrações durante do segundo ao último dia do evento, já que no primeiro ocorreu somente abertura oficial. "Isto foi possível porque o dispositivo que utilizo, o Hololens, da Microsoft, pode ser acionado em qualquer lugar, não estando atrelado à apresentação formal de um pôster. Para este Congresso, fiz pequenas modificações, mas o trabalho foi nos mesmos moldes do outro”, acrescentou, referindo-se à apresentação no CBCIMAT.

No evento de Foz do Iguaçu, Leal apresentou um pôster em branco, com apenas título e nome dos autores, atraindo dezenas de estudantes, em uma fila que só crescia em razão de umbuzz marketing– o chamado "boca a boca” – completamente inesperado. "Excetuando-se o título e o nome dos autores, havia uma área delimitada para visualização das estruturas cristalinas. No início, os transeuntes ficaram intrigados quando me viam vestindo os óculos e fazendo movimentos com a mão”, diverte-se Leal.

Os tais óculos holográficos chamavam a atenção, convidando os participantes a ver estruturas do Cloreto de Sódio (NaCl) e do Grafite, por meio do dispositivo HoloLens. Em Bonito, as duas estruturas também foram exibidas. Uma das vantagens do CW, além de oferecer suporte à interação avançada, é sua compatibilidade comtabletse celulares, e não é necessário ser instalado no computador do usuário, bastando digitar na barra de endereço do navegador a url http://cw.gl.

"No segundo dia do evento, fiz a demonstração junto a um totem de carregamento de aparelhos celulares. Compareceram em peso alunos da Escola de Engenharia de Lorena (EEL-USP) que se divertiram com a estrutura do grafite carregada no dispositivo”, conta Leal.

Segundo ele, teve gente que até se deitou no chão para visualizar a estrutura por baixo e ter uma melhor ideia da sobreposição de átomos na vertical. "Foi uma situação bastante inusitada”. No dia de apresentação do pôster, foi a vez de um grupo de alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a maioria de Física. "Novamente, pessoas se deitaram no chão. Teve até uma cristalógrafa do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron que brincou como criança com a estrutura do grafite”, diverte-se o pesquisador, o que "foi muito relevante, pois é raro alguém dessa área reconhecer o trabalho que desenvolvemos no IPEN”.

O sucesso do CW também se repetiu no quarto dia do evento. "Fiz a demonstração num espaço próximo ao bebedouro do salão de exposições, exibindo a estrutura do Cloreto de Sódio (NaCl). Compareceram muitos alunos da Universidade Federal da Bahia”. Leal lamenta o fato de a utilização da plataforma ainda ser muito incipiente: "Tivemos, durante este ano, um pico de 440 usuários, de um total de 1880, pelo mundo, sendo a maioria do Brasil, seguido por Estados Unidos, Reino Unido e China. É muito pouco, infelizmente”.

O pesquisador ressalta a importância de um marketing "mais agressivo” para divulgar o software. "Claro que, ao constatar esse número ainda baixo, temos que considerar esse aspecto. Ainda assim, fomos surpreendidos quando o Prof. Dr. Guilherme Duarte de Barros, da Universidade Anhembi-Morumbi, nos procurou e informou que não apenas está utilizando o CrystalWalk em sala de aula, como já apresentou um trabalho em congresso internacional sobre como o software impactou o aprendizado de estruturas cristalinas em seus alunos”.

Otimista, Leal diz que continuará divulgando sempre que possível. "Seguiremos com o nosso trabalho de divulgação em eventos científicos, universidades e dentro da própria casa, tentando sempre fazer Bonito", brincou, fazendo um trocadilho com o local do Congresso. Para mais informações sobre esta pesquisa e outras do Grupo de Visualização Científica em Materiais (GVCM), coordenado por Leal, basta acessar gvcm.ipen.br.

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