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Pós-doc do IPEN ganha prêmio internacional com pesquisa sobre nanopartículas de ouro sem compostos tóxicos

Lucas Freitas realiza pós-doutorado no Laboratório de Materiais Biopoliméricos, divisão Nanotera, sob a supervisão de Ademar Benévolo Lugão

O biomédico Lucas Freitas de Freitas, pós-doc do Centro de Química e Meio Ambiente (CQMA), foi contemplado com o prêmio "IIA Scientific Award” de melhor trabalho em pôster, na sessão "Young Scientific Session”, no International Meeting on Radiation Processing (IMRP19), realizado em Strasbourg, França, no período de 1 a 5 de abril. O evento reúne mais de 500 profissionais de processamento de radiação de 45 países, e o prêmio é concedido pela International Irradiation Association (IIA). 

Nesta segunda-feira, 8, Lucas foi homenageado no IPEN pelo superintendente Wilson Calvo, em reunião que contou com a presença de Gustavo Varca, coordenador do Laboratório de Materiais Biopoliméricos, ao qual Lucas está vinculado, da química Maria Helena de Oliveira Sampa, laureada no IMRP19 com o título de "Pesquisadora Emérita", da gerente do Centro de Tecnologia das Radiações (CTR), Margarida Hamada, do coordenador técnico do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), José augusto Perrotta, da gerente do CQMA, Marycel Barboza, e do pesquisador Ademar Benévolo Lugão, também do CQMA.

A pesquisa de Lucas trata de duas sínteses "verdes" de nanopartículas de ouro sem a utilização de compostos tóxicos ao meio ambiente e aos organismos vivos. Ele comparou as duas formas de síntese, seus efeitos biológicos e os impactos em organismos padrão para testes ambientais, e verificou que não apresentam toxicidade em células de organismos humanos e animais, além de terem vantagens em relação às outras síntese de nanopartículas de ouro conhecidas. Lucas é doutor em Bioengenharia pela Universidade de São Paulo, em São Carlos.

Parte de seu doutorado foi na modalidade "sanduíche”, no Wellman Center for Photomedicine – Harvard Medical School. Com dez anos de experiência pesquisando sínteses de nanopartículas metálicas e protéicas para fins biomédicos, atualmente, Lucas realiza pós-doutorado no Laboratório de Materiais Biopoliméricos, divisão Nanotera, do IPEN, sob a supervisão de Ademar Lugão.

"Esse trabalho é como se fosse o prólogo do nosso grande projeto de pesquisa, estamos tentando sintetizar essas nanopartículas visando a sua utilização como radiossensibilizadores, ou seja, buscamos potencializar a ação da radiação no tratamento de tumores sólidos ou também trabalhar com esses metais radioativos para serem as próprias fontes de radiação. A ideia é tratar qualquer tumor sólido com essas fontes”, afirmou Lucas.

O Laboratório de Materiais Biopoliméricos, divisão Nanotera, se dedica a pesquisar nanopartículas para teranóstica (conjunto de diagnóstico e terapia de forma simultânea), uma tendência nova, que, segundo Lugão, vem com muita força para oferecer tratamentos menos agressivos e mais eficazes para as pessoas com câncer. "A gente está realmente na linha de frente da pesquisa nessa área, e o prêmio do Lucas, que é um extensivo a todo o grupo, só confirma o nosso avanço”, acrescentou o pesquisador.

Para Lucas, foi "uma surpresa” receber o prêmio. "Considerando que foram apresentados dados do início do projeto, eu não esperava. Como disse, era apenas o prólogo de um projeto maior. O resumo foi submetido no ano passado, agora, já temos dados novos, muito mais incrementados. Então, esse prêmio é um incentivo, um ânimo a mais que a gente ganhou para continuar no projeto. O início foi premiado, então,imagina os próximos resultados, não é?”, comemora Lucas.

Lugão destacou a participação fundamental de Lucas na preparação do trabalho e fez questão de salientar que há um grupo grande envolvido, cujo resultado, segundo ele, "é uma sequência de prêmios que temos recebido, mostrando que o IPEN está trabalhando muito seriamente nessa área de nanopartículas para câncer, para diagnóstico e terapia”.

"O Gustavo [Varca], líder dessa laboratório, e varias outras pessoas, principalmente o Lucas, estão de parabéns. É realmente uma grande alegria, eleva o nome do grupo e do IPEN numa comunidade importante, de fato que promove muito o nosso trabalho”, concluiu Lugão.

O superintendente do IPEN, Wilson Calvo, comentou sobre a importância do evento para a área de processamento por radiação e ressaltou que o IPEN sempre ocupa uma posição de destaque. "Brasil e Polônia têm tradição em premiações nesse evento, pela inovação e pela pesquisa e desenvolvimento na área. Participam outras potências, como França, Estados Unidos, Coreia do Sul e China, e nós sempre temos o destaque. E dessa vez, fomos surpreendidos também com a indicaçãoda Dra. Maria Helena [de Oliveira Sampa] como "Pesquisadora Emérita”. Dois prêmios que muito honram o IPEN”.

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Ana Paula Freire, jornalista MTb 172/AM
Assessoria de Comunicação Institucional

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