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IPEN e Hospital de Amor de Barretos assinam convênio para estudo clínico inédito de câncer de próstata

Inicialmente, o IPEN vai fornecer Lutécio-177-PSMA para uso compassivo em pacientes com câncer de próstata. Mas a ideia é atuar conjuntamente em pesquisa para novos radiofármacos.

Barretos, SP - IPEN e Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor de Barretos (SP), assinaram um Acordo de Cooperação Técnico-Científica para avaliar a eficácia, segurança e aprimoramento de radiofármacos para estudos clínicos necessários ao registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assinado entre as partes no dia 11, o Acordo foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) No240, de sexta-feira, 14 de dezembro.

A expertise do IPEN em Radiofarmácia, com mais de 50 anos atuando na síntese de radiofármacos para uso em medicina nuclear e em pesquisas científicas, e o interesse do Hospital de Amor em desenvolver essa área levaram as duas instituições a formalizar o Acordo, um "sonho antigo”, segundo Euclides Timóteo da Rocha, médico titular do corpo clínico do Departamento de Medicina Nuclear do HA.

"Tivemos um primeiro encontro em São Paulo, no IPEN, para conversar sobre o radiofármaco a ser utilizado no tratamento de um amigo, cirurgião da instituição, que foi diagnosticado com câncer, e então surgiu a ideia de expandir a pesquisa conjunta para que pudesse servir de base para estudos maiores no País. É uma satisfação enorme ter vocês aqui, consolidando aquela ideia plantada há algum tempo”, afirmou Rocha.

Ele se refere ao radiofármaco Lutécio-177-PSMA, que será fornecido pelo IPEN para uso compassivo. A execução de um Programa de Uso Compassivo (PUC) consiste em disponibilizar um medicamento a um grupo de doentes (ou, por vezes, a doentes individuais analisados caso a caso) que sofram de uma doença crônica ou gravemente debilitante e que não possam ser satisfatoriamente tratados com um medicamento autorizado.

Em alguns países, as entidades reguladoras têm respondido a esta situação, e os medicamentos podem ser obtidos antes de chegarem ao mercado, com base no uso compassivo, para ajudar a tratar doentes que não têm outras opções nem tempo para aguardar pelo final dos ensaios clínicos e pelo processo de autorização. "No caso do Lutécio-177-PSMA, já há indicativos de eficácia no tratamento de câncer de próstata, nosso foco aqui”, explicou Jair Mengatti, diretor de Radiofarmácia do IPEN.

O tratamento com Lutécio-177-PSMA ainda é experimental em alguns países, entre eles, Estados Unidos e Austrália. De acordo com Rocha, surgiu há aproximadamente quatro anos na Alemanha. "Somos os primeiros a realizá-lo na America Latina, o que nos coloca em uma posição bem atualizada”, salientou.

Para garantir a segurança dos pacientes e também a consistência dos resultados dos estudos, o Hospital de Amor segue normatização internacional de boas práticas clínicas, que é adotada por todos os envolvidos nos Ensaios Clínicos. Após comprovada a eficácia, a medicação passa ainda pela avaliação de agências reguladoras governamentais, como a Anvisa, no caso do Brasil, que vão certificar a segurança e autorizar o uso e a comercialização da nova droga.

"Esse convênio abre muitas possibilidades tanto para o desenvolvimento do radiofármaco no País, quanto para o benefício dos pacientes. O número de pacientes com câncer de próstata que já não têm alternativa de tratamento é muito grande, e esse tratamento [compassivo] vai possibilitar uma nova oportunidade para esses pacientes. E há outro aspecto importante: aqui, todos são tratados pelo SUS [Sistema Único de Saúde], então, não terão custo algum”, afirmou Wilson Eduardo Furlan Matos Alves, coordenador médico da Medicina Nuclear.

"Significado especial” – Antes da formalização do Acordo, o superintendente do IPEN, Wilson Aparecido Parejo Calvo, e comitiva, visitaram as unidades do HA, acompanhados por Wilson Alves e Euclides Rocha. O grupo percorreu todas as alas, incluindo a Radiofarmácia. "Todas as áreas são muito bem estruturadas, temos uma excelente oportunidade de fazer avançar a medicina nuclear a partir dessa parceria”, disse Calvo.

A comitiva também visitou outras instalações, entre elas o Hospital de Câncer Infantojuvenil "Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, um lugar onde as crianças são atendidas de um jeito muito particular. Tudo é muito colorido, há fotos de animais fazendo caretas espalhadas, ambientes temáticos, espaços lúdicos e até sala de cinema para os pacientes. "Tudo pensado para que as crianças se sintam acolhidas”, destacou Alves.

O último lugar de visitação foi o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital. A comitiva do IPEN foi recebida pelo médico Rui Manuel Vieira Reis, diretor executivo do IEP e coordenador do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM). Depois de conhecer laboratórios e experimentos com células vivas, o grupo foi recebido por Regina Maura Nogueira Paschoal, diretora executiva do Hospital.

O Termo do Acordo foi assinado por Calvo e Mengatti, do lado do IPEN, e por Paschoal, pelo Hospital de Amor. "Para muitos de nós, era um sonho conhecer esse Hospital, que é uma referência internacional. Nós tivemos de repensar o IPEN, no sentido de como poderíamos potencializar a questão da medicina nuclear no País. Não adianta apenas comercializar os rediofármacos, era preciso fazer com que os novos produtos pudessem chegar aos hospitais de forma segura e eficaz, e, para isso, procuramos hospitais de referência”, salientou Calvo.

Para o superintendente do IPEN, a parceria com o Hospital de Amor de Barretos tem um "significado especial”. "Começamos com a Unicamp, em um acordo educacional para a formação de médicos, na área de medicina nuclear. Depois, assinamos outro com o A. C. Camargo, para ensaios com Fluorcolina, e, agora, fizemos questão de vir ‘in loco’ – os outros foram à distância. Esse Hospital tem um significado especial, por tudo o que representa para o País”, destacou Calvo.

O superintendente agradeceu a "oportunidade” e afirmou que o IPEN está à disposição para colaborar com o Hospital de Amor na pesquisa com outros radiofármacos e procedimentos da medicina nuclear. "Qualquer radiofármaco ou outro procedimento que vocês julguarem importante para o país, podem nos informar, que vamos abraçar a causa. Contem conosco sempre. Muito obrigado”, concluiu Calvo.

Além de Mengatti e Calvo, estiverem presentes também o gerente do Centro de Radiofarmácia (CR) do IPEN, Efraim Perini, o gerente do Escritório de Gestão de Projetos, Fernando Moreira, a gerente de Garantia da Qualidade do CR, Elaine Bortoleti de Araújo, o gerente de Controle de Qualidade do CR, Natanael Gomes da Silva, e o pesquisador Afonso Rodrigues de Aquino.

Matéria também disponível no Órbita IPEN.

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Ana Paula Freire, jornalista MTb-172/AM
Assessoria Institucional

 

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