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Como será o armazém para resíduos nucleares da Central de Almaraz?

O Armazenamento Temporário Individualizado (ATI) para o combustível irradiado da central nuclear de Almaraz é uma espécie de doca seca, onde serão depositados provisoriamente os resíduos nucleares de alta atividade dentro de contentores cilíndricos com 5 metros de altura e 2,6 metros de diâmetro.

Fonte: SIC - Portugal

Carla Castello

Armazém? Aterro? Cemitério nuclear? A própria denominação da instalação industrial, cuja construção foi autorizada pelo Governo espanhol no terreno da central nuclear de Almaraz, suscita dúvidas deste lado da fronteira, onde não existem centrais nucleares para produção de eletricidade. Aquilo a que os espanhóis chamam Armazenamento Temporário Individualizado, ou ATI, pode assumir diferentes formas.

O ATI da central nuclear de Almaraz não terá cobertura, tal como os armazenamentos temporários individualizados já construídos nas centrais nucleares de Ascó, na província de Tarragona, e José Cabrera, mais conhecida como Zorita por se situar em Almonacid de Zorita, na província de Guadalajara. Esta última em processo de desmantelamento.

Segundo o projeto aprovado pelo Governo espanhol, a área ocupada pelo ATI de Almaraz terá cerca de 3.600 metros quadrados. A estrutura é aparentemente simples. Será construída uma laje de betão sem cobertura, rodeada por uma vala e por um muro de cinco metros de altura e meio metro de largura.

Na laje serão dispostos vinte contentores cilíndricos, modelo ENUN32P fabricado pela empresa espanhola Ensa, com cinco metros de altura e 2,6 metros de diâmetro. São contentores que, segundo o fabricante, têm uma dupla função: armazenamento e transporte, podendo por isso ser transferidos depois para outro local.

Cada contentor é composto por uma cápsula de metal protegida por várias camadas de aço e betão de alta densidade. Lá dentro, podem ser armazenados até um máximo de 32 elementos de combustível irradiado nos reatores, ou seja, resíduos do processo de fissão nuclear, altamente perigosos para a saúde e para o ambiente. Já com a carga, cada contentor pesará cerca de 120 toneladas.

A ideia é começar a transferir primeiro para o armazenamento os elementos de combustível irradiado que já estão nas piscinas da central nuclear há mais anos, por já terem menos atividade.

O ATI ficará localizado dentro dos 1.680 hectares de terrenos da central nuclear, a norte do local já ocupado pela própria central (reatores e restantes edifícios e infraestruturas), a cerca de 800 metros do núcleo urbano de Almaraz, na província de Cáceres, e a aproximadamente 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

O projeto foi sujeito a avaliação de impacto ambiental em Espanha, mas Portugal não foi ouvido, nem foram avaliados os eventuais impactos transfronteiriços, o que motivou uma queixa do Estado português a Bruxelas, entretanto retirada na sequência de um acordo alcançado entre os dois países, por iniciativa do Presidente da Comissão Europeia.

Esta segunda-feira, uma delegação técnica portuguesa, chefiada pelo Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, visita a central nuclear de Almaraz para se inteirar no local dos pormenores do projeto.

Atualmente há três armazenamentos temporários individualizados em centrais nucleares em Espanha: José Cabrera/Zorita, Ascó e Trillo. São instalações construídas para o armazenamento provisório dos resíduos nucleares de alta atividade junto às próprias centrais, como complemento às piscinas especiais usadas para esse fim, enquanto não é construído o Armazenamento Temporário Centralizado (ATC), uma instalação industrial desenhada para receber todos os resíduos radioativos de alta atividade de todas as centrais nucleares espanholas (5 em funcionamento, uma parada e duas em processo de desmantelamento) por um período de 60 anos.

Em 2011, o Conselho de Ministros espanhol aprovou a localização do ATC em Villar de Cañas, Cuenca, mas o processo de construção está bloqueado e envolto em polémica.

Ainda sem solução centralizada, a construção duma instalação para o armazenamento temporário dos resíduos radioativos nos terrenos da própria central nuclear de Almaraz é a alternativa encontrada para permitir prolongar a vida da central mais 20 anos após terminar a atual licença em 2020. Pretensão já confirmada pelo porta-voz da central, Aniceto González ao Canal Extremadura.



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