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Margaridas mutantes de Fukushima são uma farsa

Entenda por que a radiação da usina nuclear não pode ter causado a mutação

Fonte: Revista Galileu

Você deve ter visto pela internet, durante a semana passada, uma história (com fotos) de margaridas deformadas pela radiação de Fukushima. A foto que iniciou o bafafá, tirada pelo usuário do twitter @san_kaido, mostra várias margaridas que possuem o miolo alongado, como se duas margaridas fossem juntadas em uma só flor. A culpada seria a radiação de Fukushima, já que a foto foi feita na cidade de Nasushiobara, a 128 km da usina nuclear.

Mas, muito provavelmente, a deformidade não foi causada pela radiação. Isso porque já vimos outras margaridas terem a mesma aparência - e botânicos 'culpam' danos causados por insetos ou vírus.

As plantas crescem pois novas células são adicionadas às pontas de seus caules em uma região chamada meristema. O meristema possui um reservatório de células não diferenciadas que podem produzir mais caule, folhas ou flores. Mas se algumas dessas células morre, o pico pode ficar curvado ou achatado - e isso tem um efeito gigante na maneira com que as plantas crescem. Quando isso acontece na formação de flores, a simetria delas se perde. Será que isso lembra nossas margaridas mutantes?

Esse fenômeno é chamado deFasciação - aliás, no verbete da Wikipedia sobre fasciação temos fotos de margaridas mutantes (embora não da região de Fukushima). Elas são bastante comuns.

A radiação não poderia causar a fasciação?

 

De acordo com o tweet que iniciou toda a história, os níveis de radiaçaõ da região são de0.5 μSieverts/hora, acima de outras regiões do Japão. Mas aí entra um pouco de matemática. Os Sieverts são unidades usadas para medir o dano causado pela radiação absorvida por tecidos vivos. 1 Sv representa o efeito em 1 kg de tecido humano depois que ele absorve 1 joule de energia. 1 Sv faria você passar mal, caso você fosse exposto a ele de uma vez. Mas somos expostos a pequenas quantidades de radiação todos os dias. Raios cósmicos, monitores, radônio, etc. E essas pequenas quantidades são medidas em microSieverts:1μSievert, que é igual a 0,000001 Sv.

Bacana. Se as plantas recebem 0,5μSv a cada hora, elas acumulam 12μSv por dia. Durante um ano todo, 4380μSv. Aí converta - isso é o equivalente a 4,38 mSv por ano.

Um americano comum, de acordo com a Comissão Regulatória Nuclear do país, recebe uma dose anual de radiação de 6,2 mSv. Ou seja, a radiação supostamente acumulada pelas margaridas de Fukushima seria menor do que alguém vivendo em uma região urbana, próximo a eletrônicos, acumula. E está bem abaixo do máximo permitido pela segurança dos Estados Unidos.

 

E se as plantas forem mais sensíveis à radiação?

 

Voltamos à fasciação. Sabe-se que é possível que a radiação tenha esse efeito sobre as plantas. Mas um estudo feito em 2004 quantificou quanta radiação é necessária para isso: 100μSv/hora - bem mais do que as medições no lugar denunciam atualmente.

É possível que as plantas estivessem por lá desde o acidente nuclear em 2011, causado pelo terremoto e tsunami que atingiu Fukushima. Mas medições da radiação de Nasushiobara estão disponíveis para consulta e indicam0,74 μSv/ hora. Maior do que a medição de hoje, mas mesmo assim menor do que a quantidade necessária para causar a mutação em plantas.

Então o veredicto é que a mutação das margaridas não foi causada pela radiação de Fukushima. Mas isso não significa que não precisamos nos preocupar com a situação atual da usina, sua administração e outros efeitos. Estudos mostram, por exemplo, efeitos na população de insetos. Continuaremos de olho.

Via Gizmodo


 


 


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