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Pesquisadora da USP avalia os riscos do uso da chapinha nos cabelos - Diário Oficial

Aplicá-la em temperaturaa partir de 200ºC provoca início da perda de queratina, o que compromete a força e a elasticidade dos cabelos

Fonte: Diário Oficial do Poder Executivo - Estado de S. Paulo

A mulher que tinge seus cabelos, em geral, gosta de escová-los e finalizá--los com a popular chapinha, pois o resultado é uma madeixa lisa e brilhante. No entanto, a pesquisadora Cibele Rosana Ribeiro de Castro Lima avaliou os malefícios do uso de equipamentos térmicos (prancha e secador) nos fios e recomenda alguns cuidados indispensáveis para garantir a saúde capilar.

Sua pesquisa integra a tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e inclui mechas virgens de cabelos das seguintes etnias: oriental, caucasiano, afro e brasileiro. O oriental é proveniente de pessoas do Japão, China e Coreia
(fio liso em toda a extensão e o mais resistente entre todas as etnias). O caucasiano tem ancestralidade europeia
(fio levemente ondulado e de cor castanho-escura). O fio afro foi coletado de pessoa de origem africana
e é considerado o mais frágil entre todos os analisados. A pesquisadora diz que esse tipo de cabelo é o de
menor resistência ao estiramento e quebra mais facilmente ao ser penteado. A mecha brasileira analisada
é lisa, levemente ondulada e de cor castanho-escura.

"Na primeira parte do trabalho, queria ver o comportamento térmico das mechas virgens submetidas à alta temperatura”, informa a pesquisadora. Ela observa que, após lavar e secar os fios, os tipos caucasiano e oriental apresentaram comprometimento da queratina quando o dispositivo térmico alcançou 236ºC de temperatura. No crespo, o mesmo dano foi observado quando o aparelho chegou a 223ºC.

Irreversíveis 

 "Diante de temperaturas muito altas, verificamos que os prejuízos aos cabelos foram irreversíveis. Isso significa que
o calor excessivo aumenta a porosidade dos fios, danifica a cutícula (parte superficial) e o córtex (estrutura interna, onde é armazenada a queratina, responsável pela força e elasticidade dos fios)”, comenta. Com a temperatura a partir de 200ºC, segundo Cibele, inicia-se o processo de degradação da queratina, o qual atinge sua plenitude nos fios
afros a 223ºC; e entre os caucasianos e orientais, a 236ºC.

No dia a dia, o estrago do cabelo é proporcional ao grau da temperatura ou ao tempo de permanência da prancha em contato com os fios, alerta. No mercado, há chapinhas que atingem 150ºC ou acima de 300ºC para uso profissional.

"Ao utilizá-la em casa, atente à temperatura, que não deve ultrapassar 200ºC. O uso incorreto causa danos microscópicos aos fios, os quais somente são notados a longo prazo, quando eles começam a ficar quebradiços”,
avisa a pesquisadora. Outra recomendação é nunca aplicar a prancha com os cabelos molhados, para evitar o comprometimento da queratina em temperatura inferior a 200ºC.

De cerâmica

A especialista ensina que, para prevenir problema capilar irreversível, é necessário utilizar creme protetor térmico específico para cada tipo de cabelo antes de iniciar a escovação e, sobretudo, não pressionar a chapinha nos fios. Para Cibele, uma boa opção é adquirir o aparelho de cerâmica o qual mantém a temperatura estável.

"Antigamente, era comum a fabricação de chapinha de aço, que não oferecia estabilidade e queimava o cabelo”, informa. "O ideal é que o aparelho deslize nos fios em mechas pequenas. A chapinha não é prejudicial se for usada de forma adequada”, esclarece. Como não há tratamento para recuperar os fios que perderam a queratina, a única saída é cortar os cabelos em toda a extensão comprometida. 

Se preferir ir ao salão de beleza, ela destaca a importância de identificar um profissional confiável, apto a fazer a escovação na temperatura e forma apropriadas, para garantir a saúde das madeixas. 

Cibele também comparou mechas virgens submetidas a dispositivos térmicos em relação a outras que passaram por descoloração e, depois, a mesma técnica de aquecimento. Ela notou que os prejuízos causados por esses aparelhos afetam todos os tipos de cabelos, que se tornam mais fragilizados, porosos e sem uniformidade. "Após a descoloração,
os cabelos ficam mais porosos, pois o processo químico elimina parte da cutícula e outros componentes vitais do cabelo, como proteínas, por exemplo”, explica.

Liso, perfeito 

Escova progressiva e botox, que prometem o liso perfeito, podem ser prejudiciais por causa da aplicação de produtos químicos associados ao uso da chapinha, geralmente, em elevadas tempera turas, alerta. Nessa mesma pesquisa, Cibele quis saber o efeito da descoloração seguida de alisamento por chapinha em cabelos com características brasileiras. O resultado foi ainda pior. Segundo a pesquisadora, o cabelo descolorido ficou extremamente frágil, mais poroso e as cutículas abriram. Em contato com o calor intenso do aparelho, houve mais perda de queratina do que em comparação
aos cabelos virgens.

A pesquisadora afirma que os protetores térmicos disponíveis no mercado são eficazes se a chapinha for usada corretamente. No estudo de proteção térmica, foram testados dois produtos: um condicionador leave-on (que não recomenda enxágue após a aplicação) e uma mistura de silicone. Como resultado, o cabelo descolorido respondeu melhor ao silicone, e o virgem, ao leave-on.

Cibele explica que isso ocorreu porque o silicone forma um filme em volta da cutícula, impedindo que o calor danifique a parte interior do fio. Enquanto o leave-on, por ter bastante água em sua composição (cerca de 60% a 70%), penetra no fio com mais facilidade, sem se fixar na superfície do cabelo.

Nas mechas de cabelos virgens, por serem mais uniformes, o leave-on permaneceu nas camadas externas, o que não ocorreu com os descoloridos. É importante, também, a escolha adequada do cosmético e "seu nível de proteção
dependerá da composição química, do tipo de produto e do estado em que os cabelos se encontram”.

A pesquisa foi realizada durante um ano nos laboratórios do Instituto de Química (IQ) da USP, em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), com a orientação do professor Jivaldo do Rosário Matos, do IQ da USP, e cooperação da professora Luci Brocardo Machado, do Ipen.

Viviane Gomes
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial
Jornal da USP

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