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Brasil é liderança em políticas públicas de imunização, diz pesquisadora do Butantan

Waldely Dias, do Centro de Biotecnologia do Instituto Butantan, abriu o Seminário Anual de Iniciação Científica e Tecnológica com palestra sobre vacinas

Quando se fala em vacina e política pública de imunização, o Brasil tem uma atuação muito importante no cenário mundial, por meio de seu Programa Nacional de Imunizações – PNI, do Ministério da Saúde (MS). O Instituto Butantan, em São Paulo, é o principal centro de pesquisa e produção de imunobiológicos do País, responsável por grande porcentagem da produção nacional de soros hiperimunes e de antígenos vacinais, que compõem as vacinas utilizadas no PNI e são distribuídos de forma estratégica e gratuita à população.

No Centro de Biotecnologia do Instituto, a pesquisadora Waldely Dias coordena e participa de projetos de desenvolvimento de novas vacinas para coqueluche e tosse convulsa, altamente contagiosas e perigosas para as crianças, dentre outros estudos. Ela esteve no IPEN nesta quarta-feira (6) para proferir a palestra de abertura do Seminário Anual de Avaliação dos Programas de Iniciação Científica e Tecnológica da CNEN – PIBIC/PROBIC/PIBITI, cujo tema foi "Os Programas de Imunização no Brasil: da Revolta das Vacinas ao Controle de Doenças”.

Doutora em microbiologia e imunologia, com pós-doutorado no Institut Pasteur (França), começou sua palestra fazendo uma retrospectiva histórica das vacinas, que, segundo ela, "se confunde com a história do homem”, desde a época da chamada "variolização” – o pus de uma ferida de alguém com varíola era introduzido em um pequeno corte no braço de uma pessoa saudável, que ficava doente por um tempo e, depois de curada, nunca mais tinha varíola – até os dias de hoje. "Tentava-se provocar a moléstia de forma branda, para que o indivíduo sobrevivesse”, disse.

Nesse percurso, o médico inglês Edward Jenner teve um papel importante: ao observar um número expressivo de pessoas imunes à varíola depois de terem sido contaminadas com cowpax (doença de gado semelhante à varíola), inoculou um menino de oito anos, James Phipps, com pus retirado de uma pessoa doente, o garoto contraiu uma infecção benigna e ficou curado. Meses depois, Jenner inoculou Phipss com pus varioloso, e ele não adoeceu. "Era descoberta a vacina”, contou Waldely.

Émile Roux, Alexander Yersin, Emil Ehring, Jonas Salk e Albert Sabin, esses últimos "pais” da vacina contra a poliomielite, também foram fundamentais nessa trajetória. "Nenhum imunizante contribuiu tanto para a popularização das vacinas como o contra a poliomielite”, salientou Waldely. Mas foi Louis Pasteur quem "revolucionou a ciência” ao obter as primeiras vacinas seguindo uma metodologia científica. "Isso foi no final do séc. XIX. Depois, foram surgindo outras importantes vacinas, como a Tríplice, que resultou no primeiro Prêmio Nobel de Medicina, em 1901, para Emil Behring, e BCG”.

 

Revolta – No Brasil, a primeira vacinação, contra a varíola, data de 1804. Depois, em 1885, foi introduzida a primeira geração da vacina antirrábica, e em 1897, contra a peste. Em 1904, foi colocada em prática a campanha de vacinação obrigatória. "Era uma boa causa, mas grande parte da população, alarmada, não sabia o que era vacina e tinha medo de seus efeitos. Era a revolta da ignorância”, acrescentou Waldely, referindo-se ao movimento popular de rejeição à vacina contra a varíola, que ficou conhecida como a "Revolta da Vacina”.

O sanitarista Oswaldo Cruz, cientista homenageado no Seminário, foi pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Teve participação fundamental para a aprovação da Lei da Vacina Obrigatória, em 31 de Outubro de 1904, que permitia que brigadas sanitárias, acompanhadas por policiais, entrassem nas casas para aplicar a vacina à força. Valia tudo para erradicar a varíola, e o médico convenceu o Congresso disso, tendo a lei sido aprovada, tornando-se o estopim da revolta. Em 5 de novembro, a oposição criou a Liga contra a Vacina Obrigatória. Mas a situação foi normalizada e o processo de vacinação, reiniciado, tendo a varíola, em pouco tempo, sido erradicada do Rio de Janeiro.

Waldely também apresentou um histórico das vacinas no Brasil, explicou sobre os diferentes tipos de vacina, as etapas desde a pesquisa até a distribuição no mercado, e finalizou com dados significativos: mais de 10 Milhões de crianças morrem por ano, antes de completarem cinco anos de idade. "2,5 milhões dessas mortes poderiam ser evitadas com vacinas já disponíveis ou em desenvolvimento”.

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Ana Paula Freire, jornalista MTb 172-AM
Assessoria de Comunicação Institucional

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