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Irradiação de bens culturais no IPEN ganha destaque na 63a Conferência Geral da AIEA, em Viena

Pablo Vasquez, pesquisador do Centro de Tecnologia das Radiações, apresentou a contribuição do IPEN para a preservação de acervos de instituições públicas e de colecionadores particulares

Museus, galerias de arte e bibliotecas têm cada vez mais utilizado a radiação ionizante para tratar bens culturais biodeteriorados, particularmente os que requerem intervenção de emergência ou quando o uso de técnicas convencionais pode causar danos. "Técnicas Nucleares para a Preservação de Patrimônios Culturais” foi um dos temas debatidos na 63ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, Áustria. Participaram representantes de Croácia, França, Indonésia e Brasil, este representando pelo IPEN.

"Dos artefatos históricos à tecnologia: radiação ionizante para preservação no Brasil” foi o título da palestra do pesquisador Pablo Vásquez, do Centro de Tecnologia das Radiações (CETER) do IPEN, em 19 de setembro, penúltimo dia da Conferência. Vásquez falou da contribuição do IPEN para a preservação de acervos de instituições públicas e de colecionadores particulares, sendo esta uma forma também de divulgar o conhecimento científico e os serviços realizados no Instituto, particularmentepelo Irradiador Multipropósito de Cobalto-60.

Vásquez apresentou imagens com exemplos de obras de grandes dimensões desinfetadas com radiação ionizante, dentre elas pinturas de Alfredo Volpi, Clóvis Graciano, Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Mário Zanini e Danilo Di Prete pertencentes ao acervo do Palácio dos Bandeirantes. 

A grande vantagem da radiação gama proveniente do Cobalto-60 é que não possui energia suficiente para desestabilizar o núcleo do átomo, ou seja, é uma radiação cuja energia está abaixo do limiar de ativação da maior parte dos elementos, diferentemente do que ocorre, por exemplo, no bombardeamento por nêutrons no interior de um reator nuclear, que pode deixar traços de radioatividade no material. "Os objetos expostos a radiação gama na nossa instalação não têm contato com o material radioativo", explica Vásquez.

Mas essa não é a única vantagem que diferencia as tecnologias de radiação dos métodos convencionais, segundo Vásquez, acrescentando que a versatilidade permite que o tratamento com radiação atenda às amplas necessidades de seus usuários. "As técnicas nucleares podem apoiar nossos esforços de conservação de várias maneiras. No IPEN, nosso foco tem sido a desinfecção e a consolidação”, ressaltou o pesquisador responsável pelo Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, e que atualmente é o Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do CETER.

Foi justamente com a finalidade de debater sobre a crescente procura por essa técnica, rápida, eficiente e segura, que a AIEA promoveu o evento "Técnicas nucleares para preservar o patrimônio cultural" no âmbito do Congresso. De acordo Ana Raffo-Caiado, diretora da Divisão para Europa do Departamento de Cooperação Técnica da AIEA, "preservar o patrimônio cultural usando tecnologia nuclear nos ajuda a entender e respeitar a história, o conhecimento e a experiência dos países, além de contribuir para os benefícios socioeconômicos dos países".

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Com informações da AIEA

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