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Vice-presidente da Rosatom vem ao IPEN para a entrega de prêmio inédito para América Latina

Premiação oficial foi na cidade de Sochi, Rússia. Mas Ivan Dybov, vice-presidente da Rosatom América Latina fez questão de entregar simbolicamente o troféu em reconhecimento ao pioneirismo do IPEN

O IPEN foi o primeiro representante latino-americano a conquistar o prêmio "Nuclear Technologies for better life” ("Tecnologias nucleares para uma vida melhor”, em tradução livre), concedido pela Rosatom, Companhia Estatal de Energia Nuclear da Rússia. A cerimônia de premiação foi no 15 de abril, na cidade de Sochi, durante o 11th International Forum ATOMEXPO 2019. Mas o presidente regional para América Latina, Ivan Dybov, fez questão de vir ao Instituto para a entrega simbólica do troféu nesta quarta-feira, 5, às 14h.

"Gostaria de congratular o IPEN e dizer que estou realmente muito orgulhoso, porque esta é a primeira vez que um representante da América Latina é contemplado, concorrendo com outros dez países, o que mostra a grandiosidade do Instituto. A Rosatom tem contrato o maior no Brasil, com o IPEN, e isso nos orgulha pela nossa contribuição com soluções para problemas ambientais e para o desenvolvimento do sistema do saúde e com a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, afirmou Dybov, referindo-se ao projeto "Multipurpose Gamma Irradiation and Mobile Unit with na Electron Beam Accelerator Developed in Brazil”.

Ruan Nunes de Souza, vice-presidente da estatal russa na América Latina, destacou o fato de o IPEN estar disputando o prêmio com projetos da iniciativa privada e também de instituições "de peso”. "O Escritório da América Latina estava na torcida pelo IPEN, sabendo que era uma disputa muito acirrada com projetos de investidores privados. O IPEN bateu a GE [General Electric, conglomerado multinacional sediado em Boston, Massachussetts] e a Universidade da California, e o júri era completamente independente. Por isso, comemoramos bastante”.

Os dirigentes da Rosatom, além de  Jeferson da Silva Costa, representante legal da JSC Isotop, empresa da Rosatom Corporation que atua nos mercados de produtos isotópicos, dispositivos de radiação, equipamentos médicos e de uso geral para área nuclear. A comitiva foi recebida pelo superintendente do Instituto Wilson Calvo, que agradeceu o prêmio e destacou a parceria Brasil-Rússia, um acordo bilaterial de longo prazo na área de tecnologias nucleares aplicadas à medicina, que chega ao seu segundo ano.

Calvo fez um breve relato dos primeiros entendimentos de parceria entre os dois países, no final da década de 1990, e que culminou com o acordo firmado em maio de 2017. Oficializada a cooperação, ficou definido que o IPEN seria responsável pelo fornecimento de radioisótopos com preços mais competitivos, para garantir o atendimento à população mais carente do Brasil. "Queremos potencializar nossa parceria promovendo eventos, seminários, intercâmbio de pesquisadores e também envolver o Reator Multipropósito Brasileiro na parceria”.

A diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino do IPEN, Isolda Costa, também agradeceu à Rosatom pelo reconhecimento ao Instituto e salientou a importância de Brasil e Rússia estreitarem ainda mais a parceria, com foco na pesquisa e pós-graduação. "O IPEN está de parabéns. Para mim, é um orgulho pertencer a esta instituição, cujo dirigente está na linha de frente desse projeto vencedor. Tenho acompanhado o interesse da Rússia nessa parceria, vamos estreitá-la ainda mais, por meio de novos projetos".

A pesquisadora Maria Helena Sampa, também do CTR, destacou o apoio que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vem dando a um dos componentes do projeto, na área de meio ambiente. Sampa foi recentemente laureada com o título de "Pesquisadora Emérita” no International Meeting on Radiation Processing (IMRP19), realizado em Strasbourg, França, no período de 1 a 5 de abril.

Para uma vida melhor – O projeto vencedor, que em tradução livre significa "Irradiador Gama Multipropósito e Unidade Móvel com Acelerador de Feixe de Elétrons Desenvolvido no Brasil”, foi implementado pelo Centro de Tecnologia das Radiações (CTR) do IPEN e refere-se a duas importantes estruturas para a aplicação da tecnologia nuclear: um irradiador de uso contínuo de Cobalto-60 e um acelerador de feixe de elétrons para tratamento de efluentes industriais.

O primeiro está em atividade desde 2003 e é prioritariamente utilizado para as necessidades do Instituto, como a esterilização dos recipientes usados para transporte e uso de radiofármacos, esterilização de rações e outros insumos do biotério e irradiações de suporte às pesquisas desenvolvidas no IPEN e nas instituições parceiras. Além disso, promove aplicações pioneiras no Brasil, como a desinfestação e a contenção da proliferação de microrganismos em bens culturais e obras de arte por meio da radiação ionizante do Co60.

O outro componente do projeto é a unidade móvel com um acelerador de feixe de elétrons para tratar efluentes industriais para fins de reutilização, com requisitos de segurança chancelados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pela BSS Serviços de Blindagem e pela própria CNEN, autarquia federal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), à qual o IPEN está vinculado.

A unidade móvel pode ser usada para o tratamento de efluentes da produção de petróleo, para a dessulfurização de petróleo (processo de remoção de enxofre) e para a degradação de compostos orgânicos tóxicos em águas residuais com fins de reutilização. Um dos objetivos do projeto é demonstrar a eficiência dessa tecnologia para resolver problemas de efluentes industriais no Brasil, principalmente no caso da Companhia de Saneamento de São Paulo (SABESP) e da Companhia de Petróleo PETROBRAS.

Também estiveram presentes os gerentes Niklaus Ursus Wetter, do Programa de Internacionalização do IPEN, Efraim Perini, do Centro de Radiofarmácia, Margarida Hamada, do CTR, e Cassiane Jarodewski, do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), e Celso Gimenes, Recursos Humanos, além Francisco Edmundo Sprenger, engenheiro que projetou o Irradiador e a Unidade Móvel, Samir Somessari, Anselmo Feher, Leonardo Gondim Leonardo G. Andrade Silva, integrantes do projeto vencedor. 

Não estavam presentes, mas também compõem a equipe Celina L. Duarte,Fabio Eduardo da Costa, Pablo A. Salvador Vásquez, Nelson M. Omi, Fabiana F. Lainetti, Renato Racher Gaspar e Paulo Roberto Rela, além de Calvo e Sampa. 

O projeto é apoiado pela AIEA, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTIC), pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP/MCTIC), pela Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) e pelo próprio IPEN/CNEN.

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