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IPEN é premiado em fórum internacional sobre tecnologias nucleares, realizado em Sochi, Rússia

Para o superintendente Wilson Calvo, o prêmio é um reconhecimento ao que o IPEN vem fazendo com excelência para oferecer soluções que possam dar mais qualidade de vida à população brasileira

O projeto "Multipurpose Gamma Irradiation and Mobile Unit with na Electron Beam Accelerator Developed in Brazil”, apresentado pelo IPEN no 11th International Forum ATOMEXPO 2019, foi o grande vencedor na categoria "Nuclear Technologies for better life” ("Tecnologias nucleares para uma vida melhor”, em tradução livre). A cerimônia de premiação foi nesta segunda-feira, 15, na cidade de Sochi, Rússia, onde ocorre o evento.

Representando o superintendente do Instituto, Wilson Aparecido Parejo Calvo, o pesquisador Emerson Bernardes, colaborador do Centro de Radiofarmácia (CR), "É uma honra, em nome do IPEN, receber este prêmio. Gostaria de agradecer aos organizadores e também à Rosatom pela oportunidade de estar aqui esta noite”, disse Bernardes, referindo-se à Companhia Estatal de Energia Nuclear russa que concentra todo o programa nuclear daquele país, organizadora do ATOMEXPO 2019.

O tema principal do Fórum, que encerrou-se nesta terça-feira, 16, foi desenvolvimento das tecnologias nucleares para uma vida melhor. Foram discutidas perspectivas da energia nuclear, bem como os desafios enfrentados pelo setor nuclear em vários países. Bernardes foi convidado pela Rosatom para proferir palestra sobre os principais desafios e gargalos enfrentados pelos produtores e distribuidores de radiofármacos no Brasil e alternativas para superar as limitações atuais.

O pesquisador também abordou as novas oportunidades de mercado para o uso de diferentes radioisótopos terapêuticos combinados com traçadores novos ou convencionais, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com câncer. Brasil e Rússia têm cooperação na medicina nuclear desde 2015, quando a empresa JSC Isotope e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) assinaram acordo de fornecimento do molibdênio-99, principal isótopo radioativo usado nos procedimentos de detecção de câncer e das doenças cardiovasculares.

Aplicações pioneiras
O projeto vencedor, que em tradução livre significa "Irradiador Gama Multipropósito e Unidade Móvel com Acelerador de Feixe de Elétrons Desenvolvido no Brasil”, foi implementado pelo Centro de Tecnologia das Radiações (CTR) do IPEN e refere-se a duas importantes estruturas para a aplicação da tecnologia nuclear: um irradiador de uso contínuo de Cobalto-60 e um acelerador de feixe de elétrons para tratamento de efluentes industriais.

Com tecnologia totalmente nacional e design revolucionário, o Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 está em atividade desde 2003 e é prioritariamente utilizado para as necessidades das várias áreas de atuação do Instituto, como a esterilização dos recipientes usados para transporte e uso de radiofármacos, esterilização de rações e outros insumos do biotério e irradiações de suporte às pesquisas desenvolvidas no IPEN e nas instituições parceiras.

Além disso, promove aplicações pioneiras no Brasil, como a desinfestação e a contenção da proliferação de microrganismos em bens culturais e obras de arte por meio da radiação ionizante do 60Co. Dependendo da dose de radiação aplicada, o material pode impedir a reprodução, garantindo a erradicação, ou esterilizar imediatamente o produto com uma dose maior, se os possíveis efeitos colaterais desta dose não forem deletérios ao material original.

Radiação para tratar efluentes
O outro componente do projeto é a unidade móvel com um acelerador de feixe de elétrons para tratar efluentes industriais para fins de reutilização, com requisitos de segurança chancelados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pela BSS Serviços de Blindagem e pela própria CNEN, autarquia federal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), à qual o IPEN está vinculado.

A unidade móvel pode ser usada para o tratamento de efluentes da produção de petróleo, para a dessulfurização de petróleo (processo de remoção de enxofre) e para a degradação de compostos orgânicos tóxicos em águas residuais com fins de reutilização. Um dos objetivos do projeto é demonstrar a eficiência dessa tecnologia para resolver problemas de efluentes industriais no Brasil, principalmente no caso da Companhia de Saneamento de São Paulo (SABESP) e da Companhia de Petróleo PETROBRAS.

O Estado de São Paulo tem o principal parque industrial do país, e, na região metropolitana, existem indústrias metalúrgicas (incluindo mecânica e automobilística), têxtil, alimentícia, química, elétrica, celulose e papel, contribuindo com quase 40% da carga orgânica e inorgânica descarregada sem tratamento adequado, diretamente ao principal rio da cidade de São Paulo, Tietê.

"Queremos ampliar a capacidade nacional de tratamento de efluentes industriais utilizando aceleradores de feixe de elétrons e acreditamos que a unidade móvel será bastante efetiva nessa finalidade. Muitos estudos no país e em laboratórios estrangeiros já provaram que o tratamento por radiação oferece benefícios tecnológicos e econômicos em relação às técnicas convencionais para o tratamento de poluentes”, explicou Wilson Calvo.

O custo total de investimento da unidade móvel é de US$ 1,5 milhão, e o custo operacional total (custos anuais fixos e variáveis) é de US$ 380,5 mil. O projeto conta com o apoio da AIEA, por meio do Fundo de Cooperação Técnica, cujo objetivo é fornecer treinamento e transferência de habilidades necessárias em termos de unidade móvel e contribuir com a identificação e aquisição de acelerador de feixe de elétrons, energia de 0,7 MeV e 20 kW.

Esforço coletivo
Calvo afirma que o prêmio é motivo de muito orgulho para o IPEN e salienta o envolvimento de uma grande equipe do CTR. "[o prêmio] é um reconhecimento ao que o IPEN vem fazendo com excelência para oferecer soluções que possam dar mais qualidade de vida à população brasileira. Gostaria de destacar todos profissionais envolvidos no projeto, um esforço coletivo cujo resultado demonstra que estamos no caminho certo”, disse o superintendente.

Compõem o projeto, além de Calvo, os pesquisadores Celina L. Duarte, Samir Somessari, Francisco Edmundo Sprenger, Fabio Eduardo da Costa, Anselmo Feher, Pablo A. Salvador Vásquez, Nelson M. Omi, Leonardo G. Andrade Silva, Fabiana F. Lainetti, Renato Racher Gaspar, Paulo Roberto Rela e Maria Helena Sampa.

Além da AIEA, o projeto vencedor é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTIC), pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP/MCTIC), pela Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) e pelo próprio IPEN/CNEN.
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Ana Paula Freire, jornalista MTb 172/AM
Assessoria de Comunicação Institucional

 

 

 

 

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