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IPEN formaliza cooperação com universidade russa para pesquisas e intercâmbio na área nuclear

Brasil e Rússia já têm um acordo bilaterial de longo prazo em tecnologias nucleares aplicadas à medicina, mas ambos os países querem incentivar e fortalecer a cooperação na área acadêmico-cientifíca.

O IPEN formalizou nesta segunda-feira, 8, um acordo de cooperação acadêmica, científica e tecnológica com o Moscow Engineering Physics Institute (MEPhI), vinculado à National Reseach Nuclear University, da Rússia. O Memorando de Entendimento (MoU, de Memorandum of Understanding), foi assinado pelo superintende do Instituto, Wilson Aparecido Parejo Calvo, e será encaminhado ao reitor Mikhail Nikolaevich Strikhanov, para formalização naquela instituição, na próxima semana. A cooperação terá vigência de cinco anos, podendo renovar-se havendo anuência expressa das partes.

De acordo com os termos do MoU, o objeto principal é promover colaboração nas áreas de pesquisa e ensino, inclusive com intercâmbio de estudantes de graduação e pós-graduação, que possam ser de interesse para ambas as instituições. Dentre as principais ações, estão: organização de eventos acadêmico-científicos (conferências, seminários, mesas-redondas, simpósios e workshops) destinados a compartilhar conhecimentos, escolas de verão e outras atividades similares, publicações científicas conjuntas e material acadêmico que tenham correlação com as atividades do IPEN e do MEPhI.

Na formalização do MoU no IPEN, a Rússia esteve representada por Viktor Sheremetker, vice-adido Comercial no Brasil e chefe do Escritório Comercial da Rússia em São Paulo, e seu consultor, Alexander Govorov; e por Dmitry Korobov, chefe do Escritório da Agência Federal de Assuntos da Comunidade dos Estados Independentes, de Compatriotas no Exterior e de Cooperação Internacional Humanitária da Federação da Rússia, agência estatal ligada ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pela cooperação em ciência, educação, cultura.

Do IPEN, além de Wilson Calvo, estiveram presentes a diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino (DPDE), Isolda Costa, o gerente do Programa de Internacionalização, Niklaus Ursus Wetter, o diretor da Radiofarmácia, Jair Mengatti, e o gerente do Centro de Radiofarmácia (CR), Efraim Perini, que vai coordenar as atividades da parceria no Instituto, cuja missão, de acordo com o MoU, será de apresentar soluções e encaminhar questões acadêmicas e outras que possam ocorrer durante o prazo efetivo do acordo, bem como assegurar a supervisão das atividades. Pelo MEPhI, o indicado foi o professor Tikhomirov Georgiy Valentinovich.

Brasil e Rússia já têm um acordo bilaterial de longo prazo na área de tecnologias nucleares aplicadas à medicina. Segundo relatou Wilson Calvo, em reunião interministerial realizada em Brasília (DF), onde foi oficializada a cooperação, ficou definido que o IPEN seria responsável pelo fornecimento de radioisótopos com preços mais competitivos, para garantir o atendimento à população mais carente do Brasil. "Já temos um contrato de R$ 40 milhões/ano com a Rosatom [Companhia Estatal de Energia Nuclear] e, através da JSC Isotope, importamos vários radioisótopos rotineiramente para a área médica industrial aqui no Brasil”, afirmou.

Ainda pelo acordo bilateral, além da medicina, o IPEN também lidera atividades relacionadas a outras aplicações industriais que envolvem a utilização de aceleradores de elétrons, irradiadores gama e processamento de materiais por raios-x, explicou Calvo. "A Rússia tem um domínio muito grande em nível mundial, nessas áreas. A própria Rosatom é um exemplo”, disse o superintendente, referindo-se à estatal que, desde o declínio da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, concentra todo o programa nuclear russo, conforme explicou Viktor Sheremetker, na reunião para a assinatura do MoU.

"Tudo fica com a Rosatom, inclusive a pesquisa, que é uma parte muito importante para o nível que atingimos na área nuclear. Antigamente, o responsável nesse setor era o Ministério da Energia Nuclear, mas, com a quebra da União Soviética, o governo promoveu uma reforma e tornou-se uma empresa estatal, que congrega toda a indústria, a partir da mineração, até a produção de insumos para a medicina. Foi assim, integrando todas as áreas, que se conseguiu virar a opinião pública. A Rosatom consegue trabalhar muito bem com os movimentos contrários à energia nuclear”, afirmou Sheremetker.

Para Calvo, o acordo comercial está "caminhando muito bem”, mas o IPEN quer incentivar e fortalecer ainda mais o intercâmbio na pesquisa e no ensino. Nessa perspectiva, Dmitry Korobov afirmou que a Rússia tem programas de pós-graduação na área nuclear que poderiam receber alunos do Programa de Tecnologia Nuclear do IPEN/USP. "Poderíamos pensar um doutorado em regime de co-tutela, no qual o aluno faz uma parte do curso aqui e outra na Rússia, e recebe diploma com dupla filiação. Isso seria fantástico, inclusive porque abre mais oportunidades no futuro”, sugeriu Niklaus Wetter, gerente da Internacionalização.

Diante de tantas possibilidades no âmbito da parceria Brasil-Rússia, a expectativa no IPEN é muito positiva. "Ao promover a mobilidade acadêmica de professores, pesquisadores e estudantes, o Instituto dá mais um passo para o fortalecimento de seu Programa de Internacionalização. Convênios internacionais com instituições tão bem conceituadas possibilitam, além do intercâmbio, publicações importantes e de qualidade, o que estamos buscando ampliar no Instituto”, ressaltou Isolda Costa, diretora da DPDE.

"Foi grande prazer visitar o IPEN mais uma vez. Espero que possamos dar a continuidade ao desenvolvimento da cooperação entre os nossos países”, declarou Dmitry Korobov, chefe do escritório no Brasil da agência estatal responsável pela cooperação em ciência, educação, cultura. O reitor Mikhail Nikolaevich Strikhanov deverá assinar o MoU na próxima semana. Ele vai receber o documento original, assinado no IPEN, das mãos do gerente de Radiofarmácia, Efraim Perini, que viaja nesta sexta-feira para a Rússia participar do 11º ATOMEXPO 2019 Forum, na cidade de Sochi.


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Ana Paula Freire, Jornalista MTb 172/AM
Assessoria de Comunicação Institucional

 

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