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Anderson Zanardi deixa NIT e diz que insegurança econômica afasta empreendedor

Gerência de Inovação Tecnlógica, estratégica para o Instituto, ficará a cargo de Cassiane da Rocha Jaroszewski

Você assumiu o NIT com a missão de difundir, no IPEN, a cultura do empreendedorismo na pesquisa. Quais os principais desafios e dificuldades enfrentados desde então?

O maior desafio tem sido atingir o principal público-alvo para a difusão da cultura do empreendedorismo: os alunos da pós-graduação do IPEN. A ideia é mostrar a eles que existe uma opção diferente da vida acadêmica, no mercado, por exemplo, que o sistema de incentivo ao empreendedor está disponível e ativo, e, principalmente, indicar os caminhos que devem ser percorridos para tal.

E quais os principais avanços, em termos de parceria com empresas para transferência de tecnologia e de registros de patentes, na sua gestão?

Tivemos um grande avanço em relação às parcerias com empresas. Em 2015, foram três novas parcerias; em 2016, foram sete; em 2017, foram deze; e, em 2018, tivemos seis novas parcerias, totalizando, nos últimos quatro anos, uma arrecadação da ordem de R$13 milhões, ainda tímida para o potencial do IPEN.

Quantas patentes o IPEN tem registradas?

O IPEN tem hoje 147 pedidos de patentes protocolados no INPI [Instituto Nacional de Propriedade Intelectual], sendo, destas, 23 patentes concedidas.

Em que medida a burocracia é um fator determinante para afastar o pesquisador da cultura do empreendedorismo?

Acho que, neste caso, a burocracia não chega a ser o fator fundamental. Do meu ponto de vista, a falta de informação sobre os caminhos para empreender é a principal deficiência. Lembrando que um pesquisador já estabelecido numa ICT, que tem sua linha de pesquisa, provavelmente não tem o perfil de um empreendedor. Mas essa não é uma regra de exclusão, há casos no IPEN de pesquisadores de renome que se tornaram empreendedores, como, por exemplo o doutor Spero Penha Morato [egresso do CLA e ex-superintendente]. Um exemplo a ser seguido.

Os países que mais investem em pesquisa e inovação são, também, os que mais se desenvolvem economicamente. Por que, na sua opinião, o pesquisador brasileiro não incorpora esse pensamento?

Creio que a insegurança política e econômica histórica do Brasil é um fator que afasta, em sua grande parte, iniciativas nessa área. Já tivemos o caso de empresa que se interessou por uma tecnologia desenvolvida no IPEN, e, quando finalmente foi realizado o edital de licenciamento, a empresa entrou em dificuldades econômicas.

Você considera que há resistência ou desconhecimento por parte da iniciativa privada em relação ao potencial empreendedor do conhecimento gerado nas instituições de pesquisa? Como fazer essa ponte entre a pesquisa científica e o empreendedorismo?

Tenho notado que existe um preconceito grande por parte das empresas em se relacionar com as ICTs e, nesse caso, o principal fator é a burocracia. A demora em realizar uma parceria é a principal dificuldade ainda hoje encontrada. Existe também um desconhecimento dos caminhos abertos pela Lei da Inovação e seu Marco Legal. Nesse sentido, o NIT-IPEN tem promovido, nos últimos anos, os workshops de Inovação e as Feiras Tecnológicas, quando são apresentados tópicos especiais sobre a Lei e os possíveis modelos de relacionamento entre as empresas e o IPEN.

Do ponto de vista mais pessoal, vale a pena abdicar de mais tempo na sua pesquisa para essa missão no NIT?

Quando o doutor Marcelo Linardi me convidou para esse desafio, fiquei muito honrado. Penso que na questão de abdicar de uma coisa em prol de outra, devemos ter um olhar mais abrangente. Considero que o tempo que não estou me dedicando à pesquisa está sendo bem aproveitado nas atividades desenvolvidas no NIT. Se há um ganho institucional nesse investimento, então todos saem ganhando. Fico feliz com os resultados que temos alcançado, a equipe toda é muito dedicada. Ainda estamos no início de um longo trabalho em busca de melhores resultados, mas os primeiros passos já foram dados.

Quais as perspectivas, agora que está deixando a gerência do NIT?

Quando o IPEN submeteu o projeto FAPESP Institucional, o gerente do CLA, Dr. Niklaus Wetter, me convidou para assumir o desafio de desenvolver uma nova linha de pesquisa no Centro. Como resultado desse projeto, o IPEN foi contemplado com um equipamento muito especial, só existem dois outros semelhantes no mundo [o SNOM], assim pretendo me aprofundar nesse novo desafio. Penso que somos todos construídos pela coleção de desafios que aceitamos e creio que devemos estar sempre abertos a essas oportunidades de crescimento.

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