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Seminário aborda resultados preliminares do fenômeno da dispersão atmosférica na área do RMB

Nesta quinta-feira, 4, doutoranda do IPEN apresenta estudos de impacto ambiental que vão complementar os critérios de segurança adotados para o Projeto Reator Multipropósito Brasileiro (RMB)

Os primeiros resultados da campanha experimental feita com o Lidar Doppler para avaliar impactos ambientais na área vizinha às futuras instalações do Reator Multipropósito Brasileiro, em Iperó, serão apresentados pela meteorologista Cássia Beu, nesta quinta-feira, 4, às 14h, no Centro de Lasers e Aplicações (CLA) do IPEN. Os dados são parte da pesquisa de doutorado de Beu e foram coletados no Centro Experimental Aramar do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

Lidar é a sigla para Light Detection and Ranging ou, grosso modo, radar de laser. Beu utilizou esse equipamento para caracterizar Jato de Baixos Níveis (JBN) resultantes de seis meses de observações contínuas. Segundo a doutoranda, o JBN é um fenômeno recorrente em Iperó e com grande impacto na dispersão atmosférica, por este motivo suas características precisam ser conhecidas e reproduzidas pelos modelos numéricos para se obter simulações de dispersão atmosférica confiáveis.

"Quando ocorre dispersão de poluentes na atmosfera, é fundamental compreender quais os mecanismos envolvidos, principalmente em se tratando de instalação nuclear. Há vários critérios para analisar: a direção dos ventos, a altura que os poluentes podem alcançar, a velocidade com que vão se dispersar, se vão depositar ou se vão mais longe, enfim, um conjunto de informações essenciais para a segurança da instalação e seu entorno. Os resultados provenientes da simulação atmosférica são usados no cálculo de dose no caso de uma liberação acidental de radionuclídeos para a atmosfera. A partir dessas informações, as autoridades competentes podem planejar ações mais eficientes para proteção da população, como por exemplo, evacuação de áreas contaminadas”, afirmou a doutoranda, que é orientada pelo professor Eduardo Landulfo.

O JBN é um fenômeno da natureza que faz com que os ventos fiquem muito mais rápidos a partir de certa altura – essa altura é variável. Em Iperó, parte dos eventos ficou entre 120m e 200m. "Se houver algum problema, um acidente que libere radionuclídeos, por exemplo, a camada na qual o material irá se dispersar, com espessura entre 100m e 200m, é pequena, o que faz com que a concentração próxima à superfície seja maior do que se a camada tivesse 2.000 m de espessura, que é a altura típica da Camada Limite Planetária durante o dia e sem JBN. Então, é um trabalho que vem agregar informações aos critérios de segurança já adotados para a construção do RMB e também para a própria Marinha, que são instituições nucleares, e a primeira etapa para operacionalização de modelos de transporte e dispersão atmosférica para os dois locais”.

Todas essas informações levantadas por Beu são importantes para o planejamento do RMB, o mais importante projeto para a área nuclear, atualmente, no Brasil. "Na realidade, a minha pesquisa de doutorado é caracterizar o JBN na área onde será construído o RMB, mas, como estou trabalhando em Aramar, tenho a possibilidade de obter um produto final para cada instalação, com pequenas adaptações”, disse.

Beu se refere à sua mudança para Aramar, ocorrida em função de contrato profissional na Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.. A Amazul é uma empresa pública criada pelo governo federal com a atribuição de desenvolver tecnologias ao Programa Nuclear Brasileiro e ao setor nuclear da Marinha. "A imersão nesse universo certamente ajudou muito a minha pesquisa até aqui e dará mais consistência ao produto final. Estou bastante entusiasmada”.

Na sua apresentação, ela também vai abordar um estudo comparativo de dispersão atmosférica considerando-se uma Camada Limite Planetária (CLP) típica, que varia entre 50m e 2000m, dependendo das condições de insolação e umidade, e em condições perturbadas (atuação de um sistema sinótico) com o modelo HYSPLIT. 

Desenvolvido pela NOAA e pelo Bureau of Meteorology da Austrália, HYSPLIT (Modelo de Trajetória Integrada Lagrangiana Híbrida de Partículas Únicas, em tradução livre) é um modelo computacional utilizado para calcular trajetórias de parcelas de ar e dispersão ou deposição de poluentes atmosféricos. Beu apresentou esses resultados na Conferência Internacional a SPIE Remote Sensing 2018, no período de 10 a 13 de setembro, em Berlim. Sua pesquisa gerou um artigo, em fase de revisão para publicação.

Esse estudo integra um projeto maior, de avaliar o impacto ambiental do RMB, que inclui ainda os pesquisadores Jorge Eduardo de Souza Sarkis, do CLA, e Maria Aparecida Faustino Pires, do Centro de Química e Meio Ambiente (CQMA) do IPEN. "Nosso componente no projeto é o uso desse sistema Lidar para medir vento. Quando a Cássia veio para o doutorado, vimos a possibilidade de ela participar. Depois, ela foi contratada pela Amazul e fica lá permanentemente, o que foi melhor ainda”, avalia Landulfo.

Ele explica que o estudo de Beu é importante porque permite monitorar a prevalência do vento. "Se você tem um acidente, por exemplo, você consegue saber para onde o vento sopra e quais as estratégias a serem adotadas para fazer coleta", complementa Landulfo.

O Lidar Doppler foi adquirido pelo CLA-IPEN por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Serviço
O quê: Palestra "Jato de Baixos Níveis e Dispersão Atmosférica em Iperó”
Quando: Quinta-feira, dia 4 de outubro
Horário: 14h
Onde: Centro de Lasers e Aplicações do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares
Endereço: Av. Prof. Lineu Prestes, 2242, Cidade Universitária.Contatos: Eduardo Landulfo: 3133-9372/9252

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Ana Paula Freire, jornalista MTb 172-AM
Assessoria de Comunicação Institucional

 

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