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IPEN inicia processo de descontaminação de acervo da USP

Cerca de 50 mil volumes da coleção Prof. Manuel Correa de Andrade Oliveira chegaram na semana passada ao IPEN para higienização no Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, do Centro de Tecnologia das Radiações (CTR). Trata-se do maior acervo até hoje irradiado no IPEN, com 60m3 distribuídos – e devidamente embalados – em 1.370 caixas. Os volumes, agora sob a responsabilidade do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo (USP), estarão à disposição para consulta depois de passarem pela radiação gama de 60Co.

De acordo com o pesquisador Pablo Vásquez, a expectativa é de que em um mês todo o material esteja irradiado e pronto para manipulação. O tempo, aliás, é uma das grandes vantagens da irradiação. Um trabalho que levaria meses - talvez anos - para ser concluído, com essa tecnologia pode ficar pronto em um período bem mais curto. Pablo destaca a segurança desse procedimento. "Vamos utilizar a dose de 10kGy (quilogray), que é baixa, mas suficiente para eliminar os fungos”, explicou Pablo, que é coordenador do Irradiador de Cobalto-60.

Segundo ele, após passar pela câmara de irradiação, o material pode ser manuseado tranquilamente, sem risco para o usuário e sem a necessidade de "quarentena", visto que a radiação gama proveniente do Cobalto-60 não possui energia suficiente para desestabilizar o núcleo do átomo, ou seja, é uma radiação cuja energia está abaixo do limiar de ativação da maior parte dos elementos, diferentemente do que ocorre, por exemplo, no bombardeamento por nêutrons no interior de um reator nuclear.

O trabalho de higienização e descontaminação de acervos culturais para diversos públicos é um dos mais importantes realizados pelo CTR. Recentemente, uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) esteve no IPEN para documentar em vídeo essa e outras atividades na área de tecnologia das radiações aplicadas à indústria. Trata-se de um serviço gratuito para instituições governamentais. "O importante é divulgar o procedimento e ao mesmo tempo transferir tecnologia”, salientou Pablo.

Doação para a USP

Manuel Correa de Andrade era geógrafo e lecionava na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1952. Mesmo tendo se aposentado oficialmente em 1985, ele se manteve atuante como docente e pesquisador e foi o responsável pela criação do Mestrado em Geografia na UFPE, no final da década de 1970, do qual foi ainda coordenador. Nos últimos anos de sua vida, respondia, como coordenador, pela cátedra Gilberto Freyre, ligada ao departamento de sociologia da UFPE, sendo idealizador do evento anual "Redescobrindo o Brasil".

Mesmo tendo expressado sua vontade de que o acervo fosse doado à USP após sua morte (que ocorreu em 22 de junho de 2007, quando estava com 85 anos), houve um impasse familiar e somente agora, seis anos depois da primeira visita dos técnicos do IEB para avaliar o material, finalmente os volumes foram liberados pelos herdeiros, conforme explica Lucia Thomé, coordenadora do Laboratório de Conservação e Restauro do IEB:

"Nós somos uma instituição que tem essa natureza, de receber acervos pessoais, inclusive as bibliotecas. Temos Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, um pouco de Anita Malfati, Caio Prado Júnior, entre outras personalidades importantes da história do Brasil. E como o professor Manuel Correa de Andrade queria que o seu acervo viesse para cá, após sua morte foram realizados todos os trâmites legais para que a transferência fosse aprovada nas diferentes instâncias da USP. Mas uma parte da família não concordou, na época”, contou Lucia.

Segundo ela, somente no ano passado a família entrou em acordo para a adoação. Técnicos do IEB foram até Recife para nova avaliação (a primeira foi feita logo após a morte do professor) e constataram a presença de material contaminado por fungos. "Foi daí que procuramos o IPEN para fazer a higienização, de modo que seja depositado no IEB e o público possa acessar com segurança”, destacou Lucia.

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